O que aconteceu com Ruja Ignatova e a OneCoin?

Resposta curta

Ruja Ignatova vendia a OneCoin como a assassina do bitcoin, mas a moeda não tinha blockchain: os saldos eram números no banco de dados da própria empresa. Segundo a promotoria americana, os investidores puseram mais de 4 bilhões de dólares. Em 25 de outubro de 2017 Ignatova voou de Sófia para Atenas e nunca mais foi vista. Desde 2022 está na lista dos dez mais procurados do FBI.

Mikhail Savchenko

Uma moeda vendida como curso

Em 11 de junho de 2016 Ruja Ignatova subiu ao palco da Wembley Arena, em Londres, num vestido de baile e disse a alguns milhares de pessoas que logo a OneCoin seria aceita em todo lugar. Era búlgara com passaporte alemão, doutora em direito e ex-consultora da McKinsey (capítulo “A criptorrainha desaparecida”).

A OneCoin se vendia por marketing de rede. O comprador pagava por um pacote de “materiais educativos”, de pouco mais de cem euros a centenas de milhares, e recebia tokens que mais tarde supostamente virariam moedas. O dinheiro dos pacotes subia pela rede, e quem trazia novos compradores levava comissão. O preço da moeda na área do cliente só subia, quando e quanto a empresa decidia, e quase não havia onde vendê-la por dinheiro de verdade (mesmo capítulo).

Uma criptomoeda sem blockchain

A OneCoin não tinha um registro compartilhado mantido por uma rede, nem mineradores, nem código aberto. As moedas eram números num banco de dados comum nos servidores da empresa, e os funcionários podiam escrever ali qualquer número (mesmo capítulo). A empresa dizia ter mais de 3 milhões de membros (The Block), e a promotoria de Nova York afirma que as vítimas no mundo todo investiram mais de 4 bilhões de dólares (Procuradoria do Distrito Sul de Nova York).

Mais tarde os investigadores leram a correspondência de Ignatova. Num e-mail ela listava estratégias de saída, e a primeira era pegar o dinheiro, fugir e pôr a culpa em outra pessoa (mesmo capítulo). Como um esquema desses vive do dinheiro de quem chega e morre sem ele, dá para ver no simulador de pirâmide.

O voo para Atenas

Em 25 de outubro de 2017 Ignatova embarcou num voo da Ryanair de Sófia para Atenas, e desde então ninguém a viu em público. No mesmo mês uma denúncia contra ela tinha sido apresentada sob sigilo nos Estados Unidos (mesmo capítulo). Em 30 de junho de 2022 o FBI a incluiu na lista dos dez fugitivos mais procurados, por fraude eletrônica, fraude com valores mobiliários e lavagem de dinheiro (CNBC). Em junho de 2024 o Departamento de Estado subiu a recompensa por informações sobre ela para 5 milhões de dólares (The Block). Jornalistas investigativos búlgaros publicaram a hipótese de que ela foi morta em 2018; ninguém confirmou nem desmentiu oficialmente (mesmo capítulo).

Quem foi preso no lugar dela

O irmão dela, Konstantin, que assumiu a empresa, foi preso no aeroporto de Los Angeles em 2019 e se declarou culpado de fraude e lavagem de dinheiro. O advogado Mark Scott, ex-sócio de um grande escritório, ajudou a passar cerca de 400 milhões de dólares por fundos de fachada e pegou dez anos (mesmo capítulo). Em setembro de 2023 um juiz federal de Manhattan condenou o cofundador, Sebastian Greenwood, a vinte anos de prisão; segundo a promotoria, ele ganhou mais de 300 milhões de dólares com moedas que não valiam nada (Procuradoria do Distrito Sul de Nova York).

Fontes

Procuradoria do Distrito Sul de Nova York: cofundador da OneCoin condenado a 20 anos (setembro de 2023)

CNBC: FBI põe a “criptorrainha” na lista dos dez mais procurados (junho de 2022)

The Block: Departamento de Estado sobe a recompensa por Ruja Ignatova para 5 milhões de dólares (junho de 2024)

Outras perguntas

Ruja Ignatova está morta?
Ninguém sabe. Jornalistas búlgaros publicaram a hipótese de que ela foi morta em 2018, mas nenhuma autoridade confirmou, e o FBI continua tratando-a como foragida.
A OneCoin era uma criptomoeda de verdade?
Não. Não tinha blockchain nem mineradores. Os saldos eram números no banco de dados da própria empresa, e a empresa definia o preço.
Qual é a recompensa por Ruja Ignatova?
Até 5 milhões de dólares do Departamento de Estado americano por informações que levem à prisão ou condenação dela. O valor chegou a esse patamar em junho de 2024.
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