O que é o Drex, o real digital?

Resposta curta

Drex é o projeto de real digital do Banco Central do Brasil: uma plataforma do BC em que os bancos liquidariam depósitos e ativos na forma de tokens. Em 2025, depois de quatro anos de trabalho, o BC disse que a blockchain testada não era viável e reduziu a primeira etapa a um serviço para instituições. Não existe Drex para o público.

Mikhail Savchenko

O que o Banco Central prometeu

Na página do Drex, o Banco Central descreve uma plataforma única, criada e operada por ele, onde se liquidam transações financeiras com ativos digitais. A pessoa só chega lá por meio de um intermediário autorizado, como um banco, que passa o dinheiro da conta para uma carteira Drex. O exemplo do próprio BC é a compra de um carro: o dinheiro e a propriedade do veículo trocam de mãos ao mesmo tempo, e se uma das partes falhar, os dois voltam para os donos (Banco Central do Brasil).

Onde o piloto travou

O piloto rodava no Hyperledger Besu, uma plataforma baseada na Ethereum para redes fechadas. Encaixar nele as soluções de privacidade foi difícil e atrasou a primeira fase, e o BC não considerou essas soluções suficientes nem testadas o bastante. A segunda fase, com 16 consórcios testando casos de uso, terminou em julho de 2025 (Ledger Insights).

Em agosto de 2025 o presidente do BC, Gabriel Galípolo, apresentou no Blockchain Rio uma próxima etapa bem mais estreita: um serviço de reconciliação de gravames, que permite a clientes de corretoras dar ações e títulos como garantia de empréstimos. Não usa blockchain e deve funcionar integrado ao Pix (Ledger Insights; Forbes). Em 12 de novembro de 2025 Galípolo disse que “após 4 anos, a tecnologia não se revelou viável”, que o Drex “não é aquilo que chamamos de Central Bank Digital Currency tradicional” e que o BC ainda vai anunciar quando a rede estiver funcionando (CNN Brasil).

Drex, Pix e bitcoin

O Pix é o sistema de pagamento instantâneo do Banco Central: transfere dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora, e é gratuito para pessoa física (Banco Central do Brasil). O Drex nunca foi pensado para substituí-lo. A função dele é liquidar ativos e contratos, como na venda do carro, em que dinheiro e propriedade precisam trocar de mãos juntos.

Do bitcoin, o Drex difere na raiz. O bitcoin foi feito para que ninguém cuide do livro-razão principal. O Drex é um livro-razão cuidado pelo Banco Central, ao qual se chega pelos bancos. No primeiro capítulo do livro descrevo o arranjo que ele continua: alguém mantém o livro principal e todos os outros confiam nele, o banco pode congelar a sua linha ou recusar um pagamento, e o banco central imprime quantas linhas novas achar necessário (capítulo “Uma pedra no fundo do mar”). O Drex deixa esse livro mais rápido e mais preciso, mas não oferece saída dele a ninguém. Por que era tão difícil ter dinheiro digital sem um guarda-livros antes do bitcoin dá para testar no experimento “Uma moeda, dois vendedores”.

Fontes

Banco Central do Brasil: Drex, Real Digital

Banco Central do Brasil: Pix

Ledger Insights: o Drex abandona blockchain e tokenização (agosto de 2025)

Forbes: o Brasil abandona a blockchain no projeto Drex (agosto de 2025)

CNN Brasil: tecnologia do Drex se mostrou inviável, diz Galípolo (12 de novembro de 2025)

Exame: Galípolo diz que tecnologia do Drex não se revelou viável, mas projeto não acabou (novembro de 2025)

Outras perguntas

O Drex é uma criptomoeda?
Não. Quem opera o Drex é o Banco Central, e a etapa em construção agora nem usa blockchain. O bitcoin não tem emissor nem alguém que cuide do livro-razão.
Já dá para usar o Drex?
Não. A primeira etapa é um serviço para bancos, corretoras e outras instituições. Não existe carteira nem aplicativo Drex para pessoa física, e o BC disse que vai anunciar o cronograma depois.
O Drex foi cancelado?
Formalmente, não. Em 2025 o BC deixou de lado a blockchain do piloto e reduziu o projeto à reconciliação de gravames. Galípolo disse que a tecnologia não era viável, mas que o projeto não acabou.
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