---
title: "Passamos sete meses construindo nosso próprio Intercom. Mãos ao alto, quem já fez isso"
url: "https://www.mikefluff.com/pt/blog/build-vs-saas-7-questions"
locale: "pt"
author: "Mike Fluff"
updated: "2026-02-09"
description: "Uma equipe de produto passou sete meses construindo o próprio Intercom. As sete perguntas que faço agora antes de alguém escrever o que poderia comprar."
tags:
  - "strategy"
  - "tech"
  - "ops"
alternates:
  - locale: "en"
    url: "https://www.mikefluff.com/en/blog/build-vs-saas-7-questions"
    markdown: "https://www.mikefluff.com/en/blog/build-vs-saas-7-questions.md"
  - locale: "ru"
    url: "https://www.mikefluff.com/ru/blog/build-vs-saas-7-questions"
    markdown: "https://www.mikefluff.com/ru/blog/build-vs-saas-7-questions.md"
  - locale: "pt"
    url: "https://www.mikefluff.com/pt/blog/build-vs-saas-7-questions"
    markdown: "https://www.mikefluff.com/pt/blog/build-vs-saas-7-questions.md"
  - locale: "es"
    url: "https://www.mikefluff.com/es/blog/build-vs-saas-7-questions"
    markdown: "https://www.mikefluff.com/es/blog/build-vs-saas-7-questions.md"
---

# Passamos sete meses construindo nosso próprio Intercom. Mãos ao alto, quem já fez isso

> **Em resumo:** Construir faz sentido só para o core, aquilo pelo que o cliente paga. O resto se compra. Um time gastou sete meses e uns 4,5 milhões de rublos num chat próprio e acabou comprando o Intercom. Depois vêm mais seis perguntas sobre custo, API, sobrevivência do vendor, dados, grau de customização e a opção de montar com blocos prontos.

Em 2022 eu tinha um cliente — um time de produto, uns quinze, fazendo SaaS para RH. Negócio normal, receita normal, time normal. E tinham um projeto: **escrever o próprio chat de suporte**.

Descobri na segunda semana do contrato. O CTO mostrou com orgulho um Kanban em que, entre outras tarefas, pendurava um **épico**. O épico chamava "Customer Chat Platform". Tinha vinte e três tickets, quatro fechados, dezenove em execução em vários graus de "começado".

— Então, — eu disse. — Por quê?

— Bem, — disse o CTO. — A gente não quer depender do Intercom. É caro, tem limite de customização, tem vendor lock-in.

— Quanto tempo isso leva?

— Uns dois meses. Depois a gente vai iterando.

---

O projeto rolou **sete meses**. Nesse tempo se escreveu uns 60% das funcionalidades do Intercom de 2019. Por subestimação (sempre) e outras prioridades (sempre), o projeto ia e vinha. Em dado momento apareceu um bug em que as mensagens se perdiam — só no Safari mobile do iOS 15.3.1 e só se a mensagem passasse de 400 caracteres. Esse bug levou duas semanas pra ser corrigido.

No mês sete — **compraram o Intercom**. O CFO sentou com o CTO, fizeram a conta: no tempo de desenvolvimento, o time tinha gastado cerca de 4,5 milhões de rublos em salário (sem contar café). O Intercom custaria em torno de 700 000 rublos por ano. Em sete meses — **410 000**.

Diferença — **4,1 milhões**. Dá para contratar dois sêniores. Que, aliás, eles não contrataram, "porque não tem orçamento agora".

---

Não conto isso pra xingar o CTO. O CTO era normal. Queria fazer o certo. Só caiu na armadilha clássica — **confusão entre core e não-core**.

Core é pelo que seu cliente paga. Aquilo em que você é **diferente** dos concorrentes. Para esse cliente — core era análise de RH. Não chat. Chat era não-core.

**Core nunca é SaaS.** Se você compra uma "plataforma LMS" e constrói uma escola online em cima — você não é usuário da plataforma, é **concorrente** dela. Em um ano bate no teto dela.

**Não-core sempre é SaaS.** Se você escreve seu próprio Stripe, seu próprio Slack, seu próprio Intercom — está indo para a **dívida**. Porque a Stripe gasta em um ano, em engenharia, mais do que todo o seu orçamento anual. E ainda assim eles encontram bugs que você não terá tempo de encontrar.

Essa é a única pergunta **obrigatória** antes de qualquer discussão "escrever ou comprar". Se "core" — para de ler, vai construir (ou montar com blocos). Se "não-core" — continua lendo, mas com **preferência por SaaS**.

---

Depois eu aplico mais **seis perguntas**, porque nem todo não-core vale a pena comprar, e nem todo core vale a pena escrever do zero.

**Pergunta dois — custo de uma "hora de dúvida do usuário".**

SaaS funciona hoje. Menos a assinatura. Build funciona em N semanas, menos o salário do time por N semanas.

Fórmula simples: *se `SaaS_anual < 2 × salário_anual_do_dev` e a funcionalidade cobre 80% — SaaS ganha*.

> **Estimativa rápida**
>
> SaaS a $500/mês = $6k/ano. Dev mid-sênior no Brasil/Portugal — $40–60k/ano.
> Para o build pagar, a task não pode ocupar mais de **10% do tempo do dev
> por 5 anos**. Raro.

**Pergunta três — o SaaS tem a API que você precisa.**

Comprar Shopify — ok. Mas se o estoque está num sistema, o caixa em outro SaaS, o entregador em um stack próprio — seu trabalho é **costurar tudo via API**. Verifique a API **antes de comprar**. Se o endpoint de que precisa não existe, você paga **o SaaS** e **o build de um proxy** entre ele e o resto. O pior dos mundos.

**Pergunta quatro — o vendor sobrevive mais que você.**

SaaS startup de dez pessoas prometendo resolver tudo — risco. Se morrem em dois anos, você perde dados, lógica, processo.

Checagem: empresa com mais de 5 anos? Series B+? Documentação de migração pra concorrente? Se não — é **SaaS de vida curta**, e a migração vai doer.

**Pergunta cinco — dados.**

Em setores regulados (fintech, saúde, governo) essa costuma ser **a única pergunta decisiva**. Se o SaaS não está na jurisdição certa — build. Fim.

Em não regulados — também pense. Se análise crítica depende do SaaS e não há export, você é **refém** do vendor. Aumento de 40% no preço não tem negociação.

**Pergunta seis — quão custom é seu processo.**

SaaS é bom quando seu processo **cai em 80%** do que o produto suporta. Quanto mais longe da média, mais customização, plugin, workaround. Em dado momento você gasta em customização **mais** do que o build teria custado.

Regra: **três customizações — normal, cinco — bandeira vermelha, dez — hora de migrar**.

**Pergunta sete — talvez não escolher.**

2026 muda as regras. Antes era "escrever do zero ou comprar pronto". Agora tem uma terceira opção: **montar com blocos de baixo nível**.

— Backend API — Hono / FastAPI em 30 linhas.  
— Banco — PostgreSQL em qualquer provedor.  
— Auth — Clerk / Supabase em uma hora.  
— Queue — Temporal / Inngest.  
— LLM — OpenAI / Anthropic API.

O que há três anos era seis meses de dev hoje sai **em três semanas**. Seu build deixa de se opor ao SaaS — é **feito de pedaços de SaaS**. 20% custom + 80% emprestado. **Default agora.**

---

> **Como eu decido em 15 minutos**
>
> 1. **É core?** Sim → build (ou blocos). Não → próximo.
> 2. **Existe SaaS que cobre 80%?** Sim → próximo. Não → build.
> 3. **Tem API? Vendor está vivo? Dados na jurisdição certa?** Três sim → SaaS.
>  Qualquer não → build.
> 4. **Processo muito custom?** Sim → build ou blocos. Não → SaaS.

---

Voltando àquele CTO. Um ano depois da história do chat a gente se encontrou numa conferência. Perguntei o que estavam fazendo. Ele respondeu que tinham devolvido todo o trabalho não-core pro SaaS (Intercom, HubSpot, ClickUp), e focado o time em uma coisa — análise de RH. Receita subiu 60% no ano.

"Eu," ele disse, "passei aquele ano aprendendo uma lição: **trabalho de engenharia nem sempre é escrever código**. Às vezes é decidir não escrever."

Não há resposta universal. Há **sete perguntas** que em quinze minutos transformam discussão filosófica em **decisão com argumentos**.

Da próxima vez que ouvir "vamos escrever nós mesmos / vamos comprar" — abra esse checklist. Vai economizar semanas e dezenas de milhares.

**[Falar sobre decisão arquitetural](https://www.mikefluff.com/pt#contact)** — Se build vs SaaS já dura três meses no seu time — venha, resolvemos com argumentos. Já vi os dois cenários, inclusive o fechamento de um build falhado em fase avançada.
